Estou abrindo esta postagem como canal de comunicação para recepção de devolutivas a fim de receber as devolutivas de colaboração com o meu projeto de pesquisa em artes visuais "O voyeurismo e a reconstrução do espaço como limite entre o público e o privado" apresentado no dia 09/05/2008.
Agradeço desde já a recepção do meu projeto.
desenho na face #2 from Andrea Xavier on Vimeo.
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10 comentários:
Difícil indicar referências para um trabalho que parece estar muito bem fundamentado nas referências. Mas seu projeto, logo de cara, me lembrou o artista Peter Campos que utiliza chroma key como recurso em suas obras. Lembrei especialmente do vídeo (não me recordo o título) em que Campos ultrapassa, rasgando, uma “parede” de papel. A ação é filmada de um lado da “parede” e projetada ao mesmo tempo do outro lado, fazendo o espectador confundir-se com as imagens. Acho que é um pouco do estranhamento que seu projeto causa quando o espectador se reconhece no vídeo, principalmente de um ângulo incomum.
Quando você fala “me incomodo quando alguém me espiona” e cita também as câmeras de segurança constantemente vigiando-nos, pensei nos celulares. Hoje você poder ser fotografada ou filmada sem perceber, em qualquer situação: uma pessoa que parece estar brincando com seu aparelho no metrô, pode estar gravando um vídeo ou fotografando o ambiente.
Quanto ao olho mágico, acredito que se a madeira utilizada for substituída ou receba um acabamento que a deixe lisa, sem ou com textura de uma única cor, ele ficará mais visível, já que se confunde e se perde nas texturas. O que também se pode fazer são furos mínimos, próximos ao olho mágico, que permitam o “vazamento” de luz, indicando a existência de algo luminoso por trás da madeira, incitando o olhar voyeur do espectador, fazendo-o procurar um meio de matar sua curiosidade. Outro material que pode ser utilizado na cabine é o acrílico, como o utilizado em box de banheiro. Pensei nele por ser mais leve, facilitando o transporte no caso da idéia da cabine móvel, e pelo seu vídeo do banho. E por fim, o vidro com insulfilm (http://www.insulfilm.com.br/). Além de não permitir que se veja o que está por trás da cabine, há o reflexo do vidro: por mais que se aproxime tentando ver o outro lado, o espectador verá seu próprio reflexo.
Andréa, eu adorei seu trabalho, você fundamentou muito bem, acho difícil acrescentar algo.
O que poderia ser pensado agora, seria uma dimensão menor da cabine, já que, o problema da projeção foi resolvido; no acabamento da mesma para que o olho mágico apareça sem ter que procurá-lo.
Em muitos casos a câmera é instalada virada para o público para “proteger” o privado. Talvez seu trabalho também possa ter esse outro tipo de leitura, não somente de exposição de ambas às partes, mas de “proteção” para este espaço que é privado, pois ao ser observado, o espectador, se dá conta de que suas ações estão sendo vigiadas, monitoradas e ele automaticamente se impõe limites, é intimidado. Ele não sabe que está se expondo.
Já que você tinha a consciência de que estava sendo filmada, você se “mascarou” de um personagem? Tem toda uma questão de comportamento e simulação.
Não sei se estas reflexões interessam, pois como já mencionei achei que seu trabalho ficou “redondinho”, mas vou indicar algumas leituras, que pelos pequenos comentários que observei, de alguma forma falam do seu trabalho.
Jair Zandoná – Por Trás das Câmeras : desejo e poder
Fala sobre Reality Shows, Orkut, Relacionamento, Scraps, etc.
Vigiar e Punir – Cap II – A Vigilância Hierárquica .
George Orwell - Distopia (utopia negativa) de 1984.
Ele previu um mundo controlado através da tecnologia, onde a novilíngua e o duplipensar estariam presentes.
“Look” filme de Adam Rifkin, utiliza câmeras de vigilância em ficção que tematiza o que as pessoas fazem quando pensam não estarem sendo olhadas num contexto de onipresença de olhos eletrônicos vigilantes.
Filme Invasão de Privacidade : è discutido a quebra das fronteiras entre o privado e o coletivo, o permitido e o invasivo.
Meu ponto de vista sobre o trabalho
Achei o projeto muito bem realizado e bem resolvido, a idéia de colocar o observador como observado por instantes enquanto “espia” pelo olho mágico a ação que acontece na cabine causa certa estranheza no primeiro momento, fazendo com que o observador se sinta constrangido ao presenciar sua traseira na projeção interna da cabine, causando até certo constrangimento na posição que se fica.
Esse trabalho, se observado com foco entre o limite do público e o privado mostra que o espaço privado serve como refúgio a fim de não ficar aos olhos de todos.
Vendo seu trabalho lembrei-me do trabalho da Artista Janaina Tschape, onde realiza performances que são conhecidas como performances invisíveis, existe uma que ela realiza dentro de uma sala grande onde ela começa a girar no sentido horário como se estivesse dentro de uma caixinha de musica, ela inicia sua performance girando no centro da sala, conforme acelera os giros ela sai do centro e começa a girar ao redor da sala. Essa performance é filmada de cima da sala.
Referente ao seu trabalho, apesar de não ter visto a apresentação, vc já havia falado sobre ele, então não foi dificil de entender.
Entendi a sua discussão do publico e do privado e a utilização do voyeurismo para isso.
Sem duvida vc já leu tudo que poderia lhe ajudar, mas de qualquer forma segue. Pesquisando na net vi que esta tem um projeto que se chama Voyeur Project View, varios artistas participam do projeto, entre eles Julião Sarmento que coloca a seguinte frase "Voyeurismo ou o prazer de se ser espectador ", essa coisa do prazer de ser espectador eu percebo no seu trabalho, enquanto é vc que aparece no video, tudo bem, mas quando a imagem muda e a imagem passa a ser de quem olha, a pessoa logo para de assistir e sai.
Acho que é isso.
Acredito ser interessante essa relação que você esta fazendo. Essa intrusão do privado/individual sendo este mesmo fazendo parte do todo comtexto publico.
Essa historia do voyourismo como referencia de agressão, muitas vezes sutis ao ponto de não a perceber, tanto pela pate do individuo emissor quanto pelo recepitor e muitas vezes em coexistencia de emissor e receptor em ambos os lados, do contexto do coletivo quanto do individuo como ele mesmo.
Percebo este seu trabalho como sendo bem flexivel e com boas possibilidades de desdobramento. Tanto em sua construção como objeto quanto em sua instalação em espaços variados.
Não tenho muito o que dizer sobre suas poéticas e relações. Poderia sugerir que você poderia, talvez, explorar mais a parte dos kroquis, e buscar explorar uma organicidademaior na construção do "caixote". Um ponto de vista este que sugiro uma certa homogeneidade, do trabalho com o espaço. Sendo que os limentes das suas relações poeticas indicam algo tenue, muitas vezes prestes a se romper ou quase que não identificavel.
As proposições trazidas pelo trabalho enfatizam primeiramente a questão do voyeurismo, a curiosidade o prazer e o impulso do observar. As linguagens do corpo e do áudio visual utilizadas numa apresentação que torna o trabalho tridimensional apontam o hibridismo do trabalho.
A discussão ressaltada entre o limite do público e do privado, a inversão semântica que o trabalho proporciona para o observador são pontos primordiais no entendimento da obra. A forma como foram trabalhadas estas questões, tornando o observador observado, alternando o espaço interno com o espaço externo são a meu ver de suma importância para a característica do trabalho.
A reconstrução do espaço e a permuta de significados, o voyeur na condição de observado é o ponto mais importante do trabalho, é onde vemos no trabalho a discussão do público e do privado, do interno e do externo.
Na forma de exposição do trabalho e na execução é perceptível a utilização e apropriação de materiais que têm esta relação com o observar do voyeur, uma câmera (de um telefone celular ), um olho mágico, um televisor mostrando e alternando as imagens do interior e do exterior, reconstruído e re-significando a questão do voyeurismo.
O projeto de Vídeo - Instalação de Andréia tem, em verdade digo, um diferencial pratico de grande parte dos trabalhos apresentados: os estudos e laboratórios estão consideravelmente mais avançados.
Seu projeto explora a inversão de papeis do Voyeur em decorrência de uma situação conflitante de observador e observado. A curiosidade do voyeurismo aguçada pelo buraco da fechadura ou no caso de Andréia, o olho mágico, leva o transeunte expectador a fita-lhe nua em pelo e tomando uma ducha, “flagrada” em uma câmera com ares de escondida, como a que uma guarita observa o cofre do banco. Quando o observador esta confortável e ativo em sua condição de autentico observador quebra-se a magia quando corta-se a imagem de Andréia nua e o mesmo passa a se enxergar em uma posição duvidosa olhando pelo buraco.
Andréia tenciona esses dois pólos do ativo e passivo e coloca em xeque questões como a perca da magia obscura do observador que é descoberto quando observava.
O objeto.
Como citado acima, Andréia esta com um projeto do objeto construído, e este fora apresentado a todos em sala. Andréia mostrou-nos durante sua apresentação as fases de criação e pesquisa materica do objeto. Um fato notório a sua pesquisa eh a relevância que a mesma deu em esmiuçar os materiais que possivelmente serão utilizados. A pesquisa materica na pratica faz a completa diferença durante o projeto.
Referencias
Dentre as diversas referencias citadas por Andréia, recordo-me de Marcel Duchamp, Vitor Conte e Holler.
Sugestões a Andréia.
1)Quando fitei seu trabalho pude verificar que suas intenções explicatorias condiziam com o que senti quando me vi agachando lhe observando. Acredito que uma idéia interessante para você seria a instalação de um ou mais monitores televisivos em salas que estariam antes ou depois de sua vídeo - instalação, as quais mostrariam em full time o observador em seu ato de voyeurismo agachado na parede ou caixa. Se antes: chamaria a atenção para seu trabalho e incitaria ainda mais a curiosidade de outros transeuntes de observar seu projeto. Se depois: seria ainda mais interessante, pois depois de te observar, de se observar, finalmente o expectador veria que também foi observador por uma terceira pessoa passando realmente a condição de passivo, sem a chance de hesitar em olhar para a caixa, pois já o fez.
2)Sugiro que pesquise um artista plástico alemão chamado Hans Bellmer. Em seus trabalhos o feminino distorcido é estudo de forma a trazer à tona a dicotomia entre beleza feminina e aberração. Suas bonecas são deixadas de canto e muitas vezes fotografadas em posições pseudo-sensuais apesar da violência em que o corpo esta distorcido.
Olha, confesso que está muito difícil pra mim escrever sobre sua apresentação.
O que posso dizer é que gostei bastante. Não estudei todos os conceitos que estudou, por isso fica difícil dizer algo em relação a isso.
O que posso dizer é que achei muito curioso...
A questão colocada em sala de aula “como expor ?”, na minha opinião, ao contrário das pessoas que sugeriram pintar a madeira para deixar o olho mágico evidente, acho que ele não tem que ficar evidente não. Penso que sua cabine deverá ter um ótimo acabamento, independente da sua escolha.
Sei que está se dedicando 100% pra esse trabalho e acredito que daqui pra frente poderá ter outros desdobramentos. Admiro toda essa dedicação e torço pra que dê mais certo ainda.
Bom trabalho!
Seu trabalho para mim já está praticamente resolvido, principalmente na parte conceitual dele. Acho que vale apena investir no acabamento da obra, acho que uma madeira mais lisa valorizaria o trabalho, e chamaria mais a atenção das pessoas para se aproximarem e interagirem com sua obra. Investiria mais nessa parte, e talvez colocaria mais olho - mágicos, pois poderia ter outras versões do voyeurismo e mais interação do publico.
Acho que seu trabalho dialoga com uma obra do Hans Haacke, onde ele cria quase a mesma relação que o olho – mágico cria no seu trabalho, só que ele utiliza as frestas da madeira para que o observador se aproxime e veja o carrossel dentro da obra. Separei uma pesquisa que eu tinha dele para que você analise com calma:
Desde o início dos anos 70 que o trabalho de Hans Haacke transita entre diversas tendências, mas sempre com uma análise crítica e com uma apresentação política, económica e institucional, utilizando os próprios protagonistas do mercado da arte e das instituições, como patrocinadores e coleccionadores, nos seus projectos, questionando as ligações económicas entre os vários agentes do mundo artístico.
Ligado à arte conceptual, Hans Haacke é um dos autores mais influentes das novas gerações de artistas que reconhecem a sua autoridade moral associada às várias polémicas que os seus projectos suscitaram. Entre elas destacamos o cancelamento da sua exposição no Guggenheim de Nova Iorque, em 1971, com a declaração de que tratava de "situações sociais específicas" não entendidas como arte.
A instalação Standort Merry-go round (1997) discute os conteúdos ideológicos da arte pública, estabelecendo uma relação de justaposição com o monumento às guerras prussianas e ao restabelcimento do Reich, Ehrenman am Mauritztori erguido na esplanada de Munster, província da Prússia desde 1815, na Alemanha.
As guerras prussianas foram lideradas por Bismarck e travadas com os vizinhos da Prússia (Dinamarca, Áustria e França). Terminaram em 1871, com a assinatura do Tratado de Versalhes, em 1871, e a proclamação de Gulherme I, rei da Prússia, como Imperador do Reich.
O monumento é um memorial e foi concebido pelo escultor Bernhard Frydag.
Traz inscrito as datas das guerras e as vitórias prussianas (1864, 1866 e 1870-1871). É popularmente conhecido como "Masentempel" (monumento das bundas).
Ao lado desse monumento, Haacke construiu um cilindro de madeira, feito de estacas, com o mesmo diâmetro e altura (6 m x 7 m) do Ehrenman am Mauritztori. O topo é circundado por arame farpado para impedir que as pessoas escalem e vejam o interior por cima.
Só se vê o conteúdo do cilindro pelas frestas das estacas.
É um carrossel com luzes e música. A música é o hino nacional alemão, que toca initerruptamente.
A justaposição do monumento ao cilindro de madeira cria um campo de visão desconcertante.
Espero que eu tenha te ajudado, por que agora só depende de você produzir...
Me pareceu que o conceito do seu trabalho está muito bem resolvido. A idéia de um olhar voyeur e o modo como você traz esse olhar para ser vivenciado pelo expectador através destas discussões entre público e privado, do observador ser ao mesmo tempo observador e observado, levantar questões de um momento em que o memo se encontra, devido a este crescimento acelerado e onde há uma necessidade de se estar em constante vigilância e consequentemente estamos sendo vigiados são questões da contemporaneidade.
Outra questão bastante interessante é que o trabalho para acontecer, depende da interação obra/expectador. Essa interação obra/expectador não é novidade, existem diversos artistas que trabalham e continuam a trabalhar com este tipo de abordagem, como por exemplo Hélio Oiticica com seus parangolés e outros.
Está acontecendo no MAM até o dia 22/06 uma exposição com obras que também necessitam da interação com o público para acontecer. Vale a pena você dar uma olhada para conferir como eles resolveram essa questão, inclusive há três réplicas de parangolés lá.
Bom, como já disse, a questão conceitual do trabalho já está bem definida, porém, pude notar que o modo como você pretende expor ainda é uma dúvida.
Acho de extrema importância ter um cuidado com o modo como pretende expor. A apresentaçaõ física do seu trabalho é o que vai permitir que esta interação aconteça com qualidade.
Como seu trabalho precisa de expectador para acontecer, você deve pensar numa forma em que o trabalho ative a curiosidade do público de maneira sutil, até mesmo porque há a intenção de um olhar voyeur, logo não dá para colocar uma seta gigante vermelha sinalizando a existência do olho-mágico.
Ao meu ver é preciso pensar numa maneira que consiga dar conta desse objetivo em relação a obra e ao expectador.
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