Ontem durante uma aula da faculdade uma professora comentou sobre a obra do Iran do Espírito Santo que estava exposta na Galeria Fortes Vilaça.
A obra, segundo a descrição da professora, eram duas salas da dita galeria com degradê em escala de cinza pintado diretamente na parede. Ainda segundo o relato dela, a obra era bem interessante, digo segundo ela porque não fui ver pessoalmente, porque num andar as linhas eram horizontais e no outro as linhas eram verticais.
O que me chamou atenção em seu relato foi que ela perguntou como seria vendida uma obra como aquela, que estava instalada, ou melhor, pintada diretamente na parede, seria vendido um pedaço da parede?
A informação que lhe foi dada é que seria por metro quadrado e que, para quem comprasse a obra, a galeria enviaria alguém para pintar a obra diretamente na casa do cliente.
Não quero desmerecer a concepção do trabalho do artista (sei bem que este processo de concepção é bem duro e pode levar meses), mas fiquei muito intrigada com a forma de comercialização do trabalho do artista, em pensar que comprando a obra do artista, quem executa não é ele.
A arte está cada dia mais se rivalizando com outras áreas, como a Arquitetura e o Design, onde os profissionais concebem uma idéia e outros profissionais executam.
Achei graça imaginar a compra de uma obra por m². Parece uma maneira meio bizarra de comercio, pois quem compra-la levará apenas uma parte do trabalho e não terá garantias de durabilidade.
Será que quem compra uma obra como esta está disposto a lidar com o carater efêmero desta obra?
E comprá-la por m²? Se quiser ter só uma linha deste degradê, será que seria vendido o metro linear?
Pensei no meu trabalho. Estou fazendo uma vídeo instalação. e pensei: e se eu resolvesse comercializar? Será que poderia vender por segundo de filme exibido ou por frame ou ainda por m³, já que se trata de uma instalação dentro de uma cubo branco?
Fica aí a pergunta. Quais outras formas poderíamos comercializar o nosso trabalho?
desenho na face #2 from Andrea Xavier on Vimeo.
quarta-feira, 26 de março de 2008
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